0114 Novo

Criado em 01.14
No início, eram apenas fragmentos de sondagem, caindo suavemente sobre o vidro da janela, como se alguém batesse levemente. Depois, se soltaram, caindo em cascata, girando no halo das luzes da rua, sem pressa para pousar. Abri a janela, e o ar fresco invadiu de repente, com o cheiro limpo e quase etéreo da neve – essa é a respiração mais pura da terra, depois de ter se despojado de todas as cores e sons.
Ao amanhecer, o mundo foi remodelado. Os galhos de plátano sustentavam arcos fofos, os tetos dos carros exibiam curvas suaves, e até mesmo as lixeiras, geralmente de contornos nítidos, tornaram-se montes de neve robustos. O mais maravilhoso eram os pinheiros, o verde escorrendo pelas frestas da neve, felpudos, como balas de menta cobertas com uma espessa camada de glacê. O silêncio é a única linguagem neste momento. Buzinas de carro, vozes humanas, o som de obras distantes, tudo foi absorvido, deixando apenas um silêncio profundo e aveludado, envolvendo toda a cidade.
Eu lia sob a luz, o vapor do chá subindo em espirais, embaçando um pequeno pedaço do vidro. Ao levantar os olhos, a neve havia se intensificado, uma camada sobre a outra, apressadamente, mas também silenciosamente, preenchendo todos os espaços. Isso me fez lembrar da infância – naquela época, eu sempre achava que, se a neve caísse com bastante seriedade, ela poderia enterrar a casa inteira, como uma casa de pão de gengibre em um conto de fadas, e nós abriríamos a janela do sótão pela manhã, espiando para fora da neve, descobrindo um mundo novo e mais alto.
À tarde, entrei na neve de verdade. Pisei, e o som foi cheio e nítido, a resposta mais honesta do inverno. A neve na floresta tinha outra natureza: cobria levemente a grama seca, como se polvilhada com açúcar; pressionava pesadamente os galhos de pinheiro, e quando o vento passava, caía suavemente, levantando uma névoa de neve cintilante. Pingentes de gelo pendiam dos beirais de pedra, transparentes com um leve tom azul, suas pontas se condensando e pingando lentamente – o tempo aqui ganhou forma. Ocasionalmente, havia marcas de garras de pássaros ou pegadas de pequenos animais, como flores de ameixa, levemente impressas na neve, e logo depois gentilmente apagadas pela neve nova.
O crepúsculo chegou cedo. O céu era de um azul pálido de casca de ovo, misturando-se com a linha de neve das montanhas distantes, sem distinção de fronteira. Algumas luzes pontuais se acenderam, de cor laranja, parecendo especialmente quentes sob o céu azul que se aprofundava. Fumaça de chaminé (talvez vapor d'água) subia de algum lugar, reta, no ar sem vento, como um pilar cinza claro e macio.
Paisagem montanhosa com pinheiros e um rio sinuoso sob um céu nublado.
A neve ainda caía. Vinha de um lugar alto e invisível, passava pela minha janela, passava pela luz, pelo ar longo e frio, e finalmente pousava suavemente – no telhado, nos galhos das árvores, nas pegadas de ontem. Uma camada sobre a outra, alisando todos os sulcos, limites e contornos nítidos em curvas suaves e onduladas. O mundo foi assim simplificado em preto, branco, cinza, e as infinitas e silenciosas camadas entre eles.
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Eu sei que amanhã, quando o sol sair, a neve derreterá, revelando o asfalto, as lixeiras e a poeira acumulada nas árvores de azevinho. Mas neste momento, entre a luz e a noite, a neve ainda está caindo – com calma, pacientemente, para transformar temporariamente este mundo imperfeito em um conto de fadas.
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